Ah, cinema. Essa invenção humana que tenta, desesperadamente, dar algum sentido a um universo que, sejamos honestos, é um borrão caótico de acasos e entropia. E no meio dessa bagunça, surge uma questão que atormenta filósofos de poltrona e maratonistas de streaming: qual a diferença entre um filme ruim e um filme divertido?
Vamos encarar a verdade, caros vermes cósmicos. A maioria dos filmes é, tecnicamente falando, uma catástrofe. Direção que não sabe para onde ir, roteiros que parecem ter sido escritos por um macaco com acesso a um dicionário aleatório, atuações que beiram o amadorismo... a lista é infinita. E, no entanto, alguns desses desastres nos prendem. Por quê? Simples: eles são divertidos.
Um filme tecnicamente ruim, mas divertido, é como um experimento científico que dá errado de uma forma espetacular. Você sabe que não deveria funcionar, que as leis da física (ou da boa narrativa) foram violadas de forma grosseira, mas o resultado é tão absurdamente fora do comum que você não consegue tirar os olhos. É o prazer de testemunhar o caos controlado, ou melhor, o caos descontrolado que, por algum milagre intergaláctico, se torna entretenimento.
Pense naqueles filmes de ficção científica de baixo orçamento dos anos 80. Efeitos especiais que fariam um bebê rir, diálogos dignos de um cartão de aniversário genérico, e tramas que desafiam a lógica básica. E ainda assim, muitos deles são cultuados. Por quê? Porque eles não se levam a sério. Eles abraçam a própria mediocridade com um fervor quase religioso, e é essa falta de pretensão que os torna irresistíveis. Eles nos oferecem uma fuga da complexidade sufocante da realidade, um refúgio em meio à bagunça que, ironicamente, é mais bem executada que as tentativas de obras 'sérias'.
Por outro lado, temos o filme 'ruim' no sentido mais puro e deprimente da palavra. Aquele que é chato, mal feito, e ainda por cima, se acha. É um insulto à sua inteligência, um desperdício do seu tempo precioso que poderia ser usado para contemplar o vazio existencial ou, sei lá, aprender a fazer um sanduíche decente. Esses filmes são a antítese do divertido; eles são o tédio encapsulado, a prova viva de que a incompetência pode ser verdadeiramente dolorosa.
A linha entre os dois é tênue, eu sei. Mas geralmente reside na intenção, ou na falta dela. Um filme que tenta ser sério e falha espetacularmente pode se tornar hilário. Um filme que sabe que é ruim e se diverte com isso, consegue nos divertir também. O problema é quando o filme é ruim porque quem o fez simplesmente não tinha a menor ideia do que estava fazendo, e ainda achava que estava criando uma obra-prima. Essa arrogância é o verdadeiro crime contra a arte e contra a nossa sanidade.
Então, da próxima vez que se deparar com uma obra cinematográfica que desafia todas as convenções de qualidade, pergunte-se: é um desastre glorioso ou um desastre tedioso? A resposta pode não mudar o fato de que você está assistindo a algo tecnicamente falho, mas pode, quem sabe, salvar sua noite de um tédio cósmico insuportável. E, no grande esquema das coisas, isso já é alguma coisa.