Ah, os jogos. Um refúgio para alguns, uma dor de cabeça para outros. E aí surge aquela discussão que não quer calar: jogar no modo fácil estraga a experiência? Sinceramente? Acho que a gente se preocupa demais com isso.

Parece que virou moda, né? O pessoal se gabando de como passou horas sofrendo num chefe, morrendo dezenas de vezes, gritando com a tela. E aí, se você ousa dizer que jogou no modo fácil, já vem aquela cara de nojo, o comentário sarcástico: “Ah, então nem jogou de verdade”. Que bobagem!

Qual é o objetivo de jogar? Se divertir, relaxar, se desligar um pouco desse mundo caótico que já é difícil o suficiente. Se para você se divertir é ver a história, explorar o mundo sem ficar batendo cabeça numa parede, ou simplesmente ter um momento de lazer sem estresse, quem é que tem o direito de julgar? Ninguém!

Eu mesmo, se for pra passar raiva, já tenho o boleto da luz e o trânsito pra isso. Não preciso de um dragão virtual me espancando porque eu não apertei o botão no tempo exato. Se o jogo tem um modo fácil, é porque os desenvolvedores acharam que faz sentido existir. Talvez para quem quer só curtir a trama, ou para quem não tem tanto tempo, ou para quem simplesmente não quer sentir o gosto amargo da derrota a cada cinco minutos.

E vamos ser sinceros, nem todo mundo nasceu com os reflexos de um ninja e a paciência de um monge budista. Tem gente que joga para desestressar, para se sentir bem, para se conectar com amigos sem ser o último a morrer a cada rodada. E se o modo fácil proporciona isso, qual o problema?

Claro, se você é do tipo que gosta de um desafio, que se sente realizado ao superar obstáculos difíceis, ótimo! Continue assim. O jogo tem modos de dificuldade para todos os gostos. O que não pode é transformar isso numa guerra santa. Cada um joga do jeito que achar mais prazeroso.

O mundo já é complicado demais. Cheio de gente querendo te dizer como viver, como se vestir, o que pensar. Deixa a gente jogar videogame em paz, no modo que for. Se o seu “fácil” te traz diversão, o meu “difícil” me traz frustração. E vice-versa. O que importa é que a gente desligue o console com um sorriso no rosto, e não com vontade de jogar o controle pela janela.

Então, da próxima vez que alguém te olhar torto por jogar no modo fácil, respira fundo e pensa: “Tô pagando pelo jogo, tô me divertindo, tô de boa”. Isso é o que realmente importa. O resto é conversa para boi dormir, ou melhor, para ogro não dormir.