Ah, os jogos. Uma vez, a gente comprava um jogo e era isso. Você ligava o console ou o PC, instalava (se precisasse), e jogava. O jogo estava lá, inteiro, pronto. Hoje em dia, parece que a gente compra um pedaço do jogo e o resto vem depois, em parcelas, com nome chique de DLC, Season Pass, ou aquele bom e velho 'update' que mais parece um patch para consertar o que não deveria ter sido lançado incompleto.

Não me entendam mal. Eu gosto de jogar, mas essa coisa de ter que ficar de olho se meu jogo favorito vai lançar mais um pacote de história que custa quase o preço do jogo original me dá nos ombros. E as atualizações? Antigamente, atualização era para corrigir um bug chato que apareceu. Hoje, atualização é um evento. Às vezes, você liga o jogo e ele te diz: 'Preciso baixar 50 GB para continuar jogando'. 50 GB! Isso é mais do que muitos jogos inteiros pesavam anos atrás.

A Era Dourada? Talvez.

Não vou ficar aqui chorando o leite derramado, dizendo que 'antigamente era melhor'. Cada época tem suas coisas. Mas era diferente. Você pagava por um produto e ele era seu, completo. Se tinha expansão, era algo grande, que mudava o jogo, e você comprava porque queria mais daquele universo. Era uma escolha, não uma obrigação para ter a experiência 'completa'.

Hoje, muitos jogos parecem que saem da fábrica com peça faltando. E a gente, coitados, fica lá, baixando gigas e gigas, esperando o jogo ficar 'pronto'. E quando ele fica pronto, logo vem a notícia de que a próxima parte do jogo será lançada no ano que vem. É um ciclo sem fim.

O Papel das DLCs e Updates

As DLCs (Downloadable Content) e os updates mudaram a forma como os jogos são feitos e consumidos. Por um lado, podem trazer conteúdo novo e manter os jogos vivos por mais tempo, o que é bom para quem ama um título específico. Por outro, essa prática, quando mal utilizada, pode fazer com que o jogador se sinta lesado, como se tivesse comprado um produto inacabado. É aquela sensação de que, se você não pagar mais, vai perder uma parte importante da história ou de funcionalidades.

E o que dizer dos jogos que precisam de conexão constante com a internet para funcionar, mesmo sendo single-player? Antigamente, era só ligar e jogar. Agora, se a sua internet der pau, seu jogo 'completo' vira um peso de papel digital. Francamente, dá preguiça.

A Busca pela Paz Digital

Eu só queria um jogo que, quando eu comprasse, ele fosse um jogo. Sem mil DLCs para me fazer sentir burro por não ter comprado o 'bundle completo', sem atualizações que ocupam mais espaço que o próprio jogo. Queria poder sentar, jogar, terminar e, se eu quisesse mais, aí sim, pensar em algo extra. Mas a realidade é que o mundo moderno é assim: cheio de add-ons, upgrades e assinaturas. E o Shrek aqui só quer paz, longe de tanta complicação digital.

Talvez um dia os jogos voltem a ser apenas jogos. Ou talvez eu só precise encontrar um pântano mais isolado e um bom livro. Por enquanto, vou ficar aqui, resmungando sobre esses 'games' modernos e esperando o download de 80GB terminar.