Olha, eu sei o que vocês estão pensando. 'Tony, você, o gênio, bilionário, playboy, filantropo, está falando sobre pessoas que não jogam os jogos que elas gostam?' Sim, meus caros e lentos em processamento. Estou falando sobre a gloriosa e, admito, um tanto quanto preguiçosa, arte de consumir lore.

Para os menos evoluídos, lore é, basicamente, a história, o universo, a mitologia por trás de um jogo. E, aparentemente, para uma parcela considerável da população gamer, assistir a vídeos de 45 minutos explicando a linhagem dos elfos ou as motivações de um vilão genérico é mais atraente do que, pasmem, pegar um controle e interagir com o mundo.

Agora, antes que vocês comecem a me enviar correntes de e-mail com argumentos sobre 'imersão' e 'desafio', vamos analisar isso com a frieza de uma IA de ponta. Por que essa preferência pelo consumo passivo?

Primeiro: A complexidade. Alguns jogos, especialmente os RPGs de mundo aberto ou estratégias com universos vastos, criam narrativas tão intrincadas que se tornam quase um curso universitário. Aprender as facções, as profecias, as guerras antigas... é um trabalho. E sejamos honestos, nem todo mundo tem a paciência ou a disposição para se dedicar a essa tarefa hercúlea quando pode simplesmente ter a informação mastigada e servida em um prato audiovisual.

Segundo: O tempo. Ah, o tempo! Esse recurso tão escasso para a maioria dos mortais. Jogar um game pode levar dezenas, senão centenas, de horas. Para quem tem uma vida agitada (ou simplesmente não quer dedicar seu precioso tempo livre a isso), assistir a um resumo bem feito da lore é uma forma eficiente de se sentir parte da conversa, de entender as piadas internas, de apreciar a profundidade do universo sem o 'inconveniente' de ter que executá-lo.

Terceiro: A barreira de entrada. Alguns jogos são difíceis. Não estou falando da dificuldade digna de um desafio Stark, mas daquela dificuldade frustrante que faz você querer arremessar o controle pela janela. Aprender os controles, dominar as mecânicas, lidar com inimigos implacáveis... isso pode ser exaustivo. Ver alguém (geralmente um nerd muito dedicado) jogar e explicar tudo é uma forma de vivenciar a experiência sem o suor e as lágrimas.

E o quarto, e talvez o mais irônico para mim: a própria narrativa. Muitos jogos atuais se apoiam tanto na sua lore para criar um senso de profundidade que, às vezes, a jogabilidade em si se torna secundária. As pessoas se encantam com a história, os personagens, o mundo criado. Se a experiência de 'assistir à história' é tão gratificante quanto (ou até mais, dependendo do jogo), por que se dar ao trabalho de jogar?

Não me entendam mal. Eu, pessoalmente, prefiro construir o futuro do que assistir a um documentário sobre ele. Mas entendo a lógica. É como preferir ler a sinopse de um filme genial em vez de assistir ao filme. É... ineficiente. Mas eficiente para o seu objetivo, que é consumir a informação e se sentir parte de algo.

O que isso diz sobre nós? Bem, talvez que a tecnologia de streaming e a produção de conteúdo audiovisual atingiram um nível onde podemos 'experienciar' histórias complexas de maneiras novas. Ou talvez, apenas talvez, a preguiça humana atingiu novos patamares gloriosos. Em ambos os casos, é um fenômeno interessante.

Então, da próxima vez que você vir alguém maratonando vídeos sobre a história de um jogo que você acabou de zerar, não julgue. Talvez eles estejam apenas otimizando o consumo de informação. Ou talvez eles só queiram economizar os dedos. De qualquer forma, o universo do jogo continua vivo, seja jogado ou apenas... assistido.