A pretensão de criar algo atemporal é, em si, uma manifestação de ego. Mas o que acontece quando o tempo, implacável juiz, decide que a obra não apenas não é atemporal, mas envelheceu terrivelmente mal? Não falo de simples desatualização tecnológica, que é até esperada. Falo de narrativas que se tornam risíveis, de atuações que beiram o patético, de visões de mundo que, antes toleradas, hoje soam como um eco constrangedor de ignorância.
Assisti recentemente a alguns filmes que, em sua época, foram aclamados. Hoje, são apenas monumentos à vaidade de seus criadores e à ingenuidade do público. Peguemos, por exemplo, certos filmes de ficção científica dos anos 70 e 80. Os efeitos especiais, outrora revolucionários, agora parecem desenhados por uma criança com um orçamento limitado. As premissas, antes audaciosas, revelam-se simplórias, com uma lógica interna que se desfaz ao primeiro escrutínio racional. E os diálogos? Ah, os diálogos. Muitas vezes, são exposições de enredo tão grosseiras que um espectador minimamente atento as antecipa antes mesmo de serem proferidas.
Não se trata de mera nostalgia. Trata-se de avaliar a obra sob a ótica da competência e da inteligência. O que antes passava por profundidade, hoje se revela superficialidade disfarçada. O que se vendia como crítica social, agora soa como um discurso populista mal articulado. A inteligência não reside em criar algo que agrade o momento, mas em construir algo que resista ao escrutínio contínuo, que evolua com o conhecimento humano, que se aprimore com a análise.
E há, claro, o outro lado da moeda. Aqueles filmes que, apesar das limitações técnicas de sua época, mantêm sua força. Filmes com roteiros impecáveis, atuações que transcendem o tempo, e temas que continuam a ressoar. Estes não envelheceram; eles se tornaram clássicos porque possuíam uma estrutura sólida, uma visão clara e uma execução competente. São obras que demonstram que a inteligência e a habilidade na condução de uma narrativa são imunes à obsolescência.
A questão fundamental é: o que determina esse envelhecimento? É a mediocridade que se revela com o tempo? É a falta de substância que a passagem dos anos expõe? Ou é simplesmente a evolução do público, que se torna mais exigente, mais crítico, menos propenso a aceitar desculpas esfarrapadas para a falta de talento?
A resposta, como sempre, é multifacetada. Mas para aqueles que buscam a excelência, a lição é clara: o tempo é o teste definitivo. O que não é construído com bases sólidas, com inteligência e com um propósito claro, está fadado a ruir. O cinema, como qualquer outra forma de expressão humana, exige rigor. E aqueles que falham em demonstrá-lo, colherão, inevitavelmente, o fruto amargo de sua própria incompetência. A perfeição não é um ideal distante; é um requisito. E o tempo, meus caros, é implacável com aqueles que não o atendem.