Sabe, eu sou um sujeito que gosta das coisas simples. Um pântano tranquilo, um bom pedaço de cebola, e o mínimo possível de gente por perto. Mas até eu, que tento fugir do barulho do mundo, percebo uma coisa: tem hora que um personagem de livro, filme ou sei lá o quê parece mais gente de verdade do que um monte de gente que anda por aí.
É engraçado, né? A gente cria histórias, inventa figuras, e essas figuras acabam nos ensinando mais sobre nós mesmos, sobre o que é ser humano, do que muita conversa fiada que a gente escuta todo dia. Pensa bem.
Pega o Frodo. O coitado só queria paz no Condado, viver a vida dele de hobbit, sem perrengue. Mas o destino jogou um anel na mão dele, e aí, meu amigo, o bicho pegou. Ele sentiu o peso do mundo, o desespero, a tentação. Ele errou, ele vacilou, ele sofreu. Quem nunca se sentiu sobrecarregado com algo que não pediu?
Ou a Hermione. Inteligente pra caramba, né? Mas ela também tem seus medos, suas inseguranças. Ela se esforça pra provar seu valor, pra ser a melhor. E ela não tem medo de defender o que acredita, mesmo que seja difícil. Isso é mais humano que muita gente que só sabe reclamar e não faz nada.
E o Walter White? Ah, esse aí é um prato cheio. Começa como um cara comum, um professor de química com problemas. Mas a vida, as escolhas dele, transformaram ele em algo... diferente. Ele mostra como as circunstâncias e as decisões ruins podem corromper alguém. A gente vê um pouco de medo, de orgulho, de desespero nele. Não que a gente vá virar um traficante de metanfetamina, claro, mas a luta interna, a busca por algo mais (mesmo que seja o lado errado), isso ressoa.
Por que esses personagens nos tocam tanto? Acho que é porque os autores, quando fazem um bom trabalho, não criam robôs. Eles criam seres com falhas, com desejos, com medos. Eles erram, eles amam, eles odeiam. Eles são complexos. E a gente, lá no fundo, sabe que também é assim.
Enquanto isso, no mundo real, a gente vê gente que parece uma porta. Sem emoção, sem profundidade, só repetindo o que ouve. Ou então aqueles que se acham perfeitos, que nunca erram, que só sabem julgar. Dá vontade de mandar todo mundo de volta pro roteiro, sei lá.
Esses personagens fictícios, com todos os seus problemas e dilemas, nos mostram um espelho. Eles nos fazem pensar sobre nossas próprias vidas, nossas escolhas, nossos medos. Eles nos dão um conforto estranho, de saber que não estamos sozinhos em nossas lutas internas. Eles são mais reais do que muita gente que a gente encontra na rua, na internet, no trabalho.
Talvez a gente precise parar de procurar a perfeição em gente real e começar a apreciar a imperfeição bem escrita. Talvez seja mais fácil encontrar a humanidade em um dragão que virou amigo do que em um vizinho que só sabe reclamar do barulho do meu pântano. E olha que meu pântano é bem silencioso, viu?