Às vezes, eu fico pensando em como as coisas mudam na internet. Antigamente, um aplicativo fazia uma coisa e pronto. Um editor de texto escrevia texto. Um player de música tocava música. Um app de fotos tirava fotos ou organizava as que já existiam.
Mas agora, parece que todo mundo quer ser uma rede social. De repente, aquele app que você usa pra organizar suas finaves, ou pra pedir comida, ou até pra cuidar da sua saúde, começa a ter um feed. Um lugar onde você vê o que outras pessoas estão fazendo, ou o que o app acha que você deveria ver.
E não para por aí. Aparecem perfis, onde você coloca uma foto sua e uma pequena descrição. Começam a surgir botões de 'seguir' ou 'adicionar amigo'. De repente, você recebe notificações porque alguém curtiu algo que você postou, ou porque alguém que você segue publicou alguma coisa nova. É como se o app quisesse te prender ali, te fazer interagir, te fazer parte de uma comunidade, mesmo que você só quisesse, sei lá, ver seu saldo bancário.
Por que isso acontece? Eu acho que tem a ver com como as pessoas são, e com como a internet funciona hoje. As redes sociais nos acostumaram a querer compartilhar, a querer ver a vida dos outros, a querer aprovação. A gente gosta de saber o que está acontecendo, de se sentir conectado. E as empresas percebem isso.
Se um app consegue fazer as pessoas passarem mais tempo nele, interagindo, ele se torna mais valioso. Para as empresas, isso significa mais dados, mais oportunidades de mostrar anúncios, mais chances de vender outras coisas. Para nós, usuários, pode significar uma experiência mais rica, com mais conteúdo e interações. Mas também pode ser cansativo.
Às vezes, eu só queria usar um app para uma função específica, sem ter que me preocupar com 'likes' ou com o que meus 'seguidores' estão pensando. É como se a gente estivesse perdendo a simplicidade. Um app de notas que vira uma rede social de notas? Um app de fitness que vira uma rede social de exercícios? Onde fica a tranquilidade de fazer uma coisa bem feita?
Talvez seja um reflexo de como a nossa própria vida se tornou mais exposta e conectada. A gente compartilha tudo: o que come, onde vai, o que pensa. E os aplicativos, de certa forma, estão apenas seguindo essa tendência. Eles viram que a conexão e o compartilhamento são importantes para as pessoas, e tentam incorporar isso em tudo que fazem.
É um ciclo. As pessoas buscam conexão, os aplicativos oferecem ferramentas de conexão, as pessoas se acostumam a essas ferramentas e buscam mais, e os aplicativos precisam inovar para manter essas pessoas engajadas. E assim, o feed se espalha.
Eu me pergunto se não estamos nos perdendo um pouco nisso. Se a busca constante por validação e por fazer parte de algo não está nos afastando da nossa própria essência. Será que precisamos mesmo que tudo seja uma rede social? Ou será que estamos apenas tão acostumados a essa dinâmica que não sabemos mais viver de outra forma?
É algo para se pensar, enquanto a gente navega por essa internet que parece querer nos transformar em personagens de um grande reality show, onde cada clique e cada post contam.