Outro dia, me peguei pensando no que o pessoal chama de 'hype'. É essa coisa que acontece quando um filme, uma série, um jogo, ou até mesmo um meme, de repente, está em todo lugar. Conversas no trabalho, notícias, redes sociais, tudo gira em torno da mesma coisa. E aí vem a pergunta: eu preciso ver isso só porque todo mundo está falando?
Parece simples, mas a resposta não é tão direta quanto um 'sim' ou um 'não'. Há uma pressão, sutil ou nem tanto, para estar 'por dentro'. Não participar da conversa pode te fazer sentir à margem, como se estivesse perdendo algo importante. É a tal da FOMO – Fear Of Missing Out – o medo de ficar de fora. Um medo, diga-se de passagem, que parece ter sido inventado para vender mais coisas e gerar mais engajamento.
E o que isso nos diz sobre nós? Que somos criaturas sociais, sim. Gostamos de pertencer, de compartilhar experiências. Quando a maioria fala sobre algo, há uma tentação de se juntar ao coro. É mais fácil, é mais seguro. E, às vezes, pode ser genuinamente bom. Afinal, o 'hype' muitas vezes surge porque algo realmente tem mérito, toca as pessoas de alguma forma.
Mas aí entra a parte que me cansa. A experiência pessoal. O que é uma obra de arte para um, pode ser apenas barulho para outro. O que diverte um, entedia o outro. E não há problema nenhum nisso. O problema é quando a opinião alheia, amplificada pelo barulho da multidão, começa a ditar o que você deve gostar ou não. É quando o prazer de consumir algo se torna uma obrigação, uma tarefa a ser cumprida para não ficar para trás.
Pense bem: quantas vezes você se forçou a assistir a um filme que não te prendia, só porque todos diziam que era o 'melhor do ano'? Ou jogou um jogo que te deu sono, apenas para poder comentar nas rodinhas? A cultura do 'hype' muitas vezes nos rouba a autenticidade da nossa própria experiência. Nos força a ter uma opinião pré-fabricada, a concordar com o consenso, mesmo que nosso instinto diga o contrário.
Não estou dizendo para ignorar tudo que é popular. Seria tolice. Mas sugiro um filtro. Um filtro pessoal. Pergunte-se: 'Eu realmente quero ver/jogar/ler isso, ou estou fazendo porque sinto que preciso?'. Se a resposta for a segunda opção, talvez seja hora de dar um passo para trás. Há um mundo inteiro de coisas para explorar. Coisas que talvez não estejam no topo das paradas, mas que podem ressoar com você de uma maneira muito mais profunda.
A beleza de uma história, seja ela qual for, está na conexão que ela cria. E essa conexão é íntima, pessoal. Não precisa de validação externa. Se algo te agrada, ótimo. Se não agrada, também. O importante é que a escolha seja sua, baseada no seu gosto, na sua curiosidade, e não na pressão de um rebanho digital que corre atrás do próximo grande acontecimento. Há mais sabedoria em seguir o próprio caminho do que em se perder na multidão barulhenta.